O mês de novembro chega e, com ele, a sensação de que a principal campanha de conscientização sobre a saúde da mulher, o Outubro Rosa, ficou para trás. Os laços rosas são guardados e o foco da saúde pública se desloca para outras pautas. No entanto, o câncer de mama não tira férias. A doença não espera um mês específico para se desenvolver, e a luta contra ela exige vigilância constante.
Especialistas são unânimes em afirmar que o cuidado deve ser contínuo. O “despertar” anual provocado pelo Outubro Rosa é apenas o primeiro passo; o verdadeiro desafio, que começa agora, é transformar a informação em prática. A necessidade de falar sobre o tema o ano inteiro não é apenas um clichê, mas uma verdade estatística e clínica.
Afinal, os números não são sazonais. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima o surgimento de 73.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil até 2025.
Sendo o tipo de tumor mais frequente entre as mulheres no país (com exceção do câncer de pele não melanoma) e a principal causa de morte por tumores malignos na população feminina, a prevenção não pode ser uma campanha de 31 dias.
Felizmente, a medicina diagnóstica avançou. Hoje, o sucesso no combate à doença está diretamente ligado a um pilar fundamental: a tecnologia. A clareza e a precisão da mamografia digital são as ferramentas que permitem que a detecção precoce saia do discurso e se torne uma realidade clínica, 12 meses por ano.
O valor inestimável da detecção precoce
O principal argumento para a vigilância contínua não é o medo, mas a esperança. A medicina moderna oferece uma promessa estatística poderosa: quando o câncer de mama é diagnosticado em fase inicial, as chances de cura (sucesso no tratamento) podem atingir impressionantes 95%, com algumas análises para o Estágio 1 chegando a 99%.
Essa taxa de sucesso está ligada a um fator físico: o tamanho do tumor. O “estágio inicial” é frequentemente definido por tumores muito pequenos, especificamente aqueles com menos de 1 centímetro.
Contudo, o foco no “cuidado”, que é o cerne deste post, vai além da cura. A detecção precoce redefine a qualidade dessa cura. Identificar a doença em seu estágio mais incipiente possibilita o uso de terapias menos invasivas e reduz drasticamente as sequelas do tratamento.
Isso se materializa de duas formas cruciais para a paciente:
- Evitar a quimioterapia: o estágio mais precoce do câncer, o Grau 0 (ou carcinoma ductal in situ), onde as células anormais ainda não invadiram outros tecidos, nunca é tratado com quimioterapia sistêmica. Encontrar a doença nesta fase, algo que depende da alta resolução dos exames de rotina, elimina a necessidade de um dos tratamentos mais temidos.
- Viabilizar a cirurgia conservadora: o tamanho do tumor é decisivo para o tipo de cirurgia. Tumores pequenos, detectados precocemente, permitem que a equipe médica opte pela cirurgia conservadora (como a quadrantectomia), onde apenas o tumor e uma margem de segurança são removidos. Isso se opõe à mastectomia, a remoção de todo o tecido mamário. A preservação da mama tem um impacto profundo na recuperação psicológica, na autoimagem e na qualidade de vida da paciente.
Portanto, a tecnologia de imagem não é apenas um equipamento de diagnóstico. Ela é o primeiro e mais crítico passo em uma jornada que determina se a paciente terá 99% de chance de cura e se poderá fazê-lo preservando a mama e evitando a quimioterapia.
A nova fronteira do rastreamento no Brasil
A importância da mamografia como ferramenta de saúde pública foi recentemente reforçada no Brasil. Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde (MS) atualizou suas diretrizes de rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS), promovendo uma mudança histórica que visa ampliar o acesso.
Até então, o rastreamento ativo era focado em mulheres de 50 a 69 anos. A nova portaria estabelece duas mudanças principais:
- Faixa de 40 a 49 anos: o MS passa a recomendar o acesso ao exame para esta faixa etária, mesmo sem sintomas. A decisão deve ser “compartilhada” entre a paciente e o profissional de saúde, sendo realizada “sob demanda”. A justificativa é que este grupo, antes não incluído no rastreamento, já concentra 23% de todos os casos de câncer de mama no país.
- Faixa de 50 a 74 anos: o rastreamento ativo foi ampliado, subindo a idade limite de 69 para 74 anos.
Entidades médicas como a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) receberam a mudança de forma positiva, considerando-a um avanço crucial.
Vale notar que a recomendação formal da Comissão Nacional de Mamografia (composta por estas entidades) é ainda mais robusta: mamografia anual, para todas as mulheres, dos 40 aos 74 anos.
A nova diretriz do MS, portanto, aproxima o SUS do consenso das sociedades de especialidades, reconhecendo a importância de começar a vigilância mais cedo.
O papel crucial da mamografia digital na detecção
A eficácia de qualquer programa de rastreamento, seja ele o do MS ou o das sociedades médicas, depende de uma variável: a qualidade da imagem. É aqui que a mamografia digital se torna a protagonista da detecção precoce.
A mamografia convencional, analógica, utiliza filmes radiográficos. A mamografia digital (DR), por sua vez, usa sensores digitais para capturar a imagem e convertê-la em dados. Essa é a tecnologia que as sociedades médicas recomendam como “preferencial”.
A superioridade da mamografia digital não está apenas na imagem final, mas no que ela permite fazer:
- Clareza e nitidez: a captura digital produz imagens com “maior clareza”, “nitidez e contraste”. Elas são intrinsecamente “mais detalhadas”, facilitando a visualização das glândulas e do tecido mamário.
- A vantagem da manipulação: esta é, talvez, a maior vantagem clínica. Diferente de um filme estático, a imagem digital é um arquivo de dados. O radiologista pode, em sua estação de trabalho, “ajustar brilho, contraste e ampliar áreas específicas” (dar zoom).
- Menos radiação: a sensibilidade dos sensores digitais permite obter uma imagem de alta qualidade com uma “menor exposição à radiação”.
A capacidade de “explorar” digitalmente e ampliar uma área suspeita é o que permite ao especialista identificar “microcalcificações e nódulos em estágios iniciais” que poderiam passar despercebidos em um filme analógico. É essa clareza que possibilita o diagnóstico em Estágio 0, que leva à cura de 99% sem quimioterapia.
Para o gestor de saúde, a mamografia digital também resolve desafios operacionais. As imagens podem ser armazenadas eletronicamente, facilitando a “comparação de imagens” de exames atuais e anteriores, e viabilizam a telemedicina, permitindo que um especialista laude o exame a quilômetros de distância.
O desafio das mamas densas e a solução 3D (tomossíntese)
A nova diretriz do MS, ao incluir a faixa de 40-49 anos, traz à tona um desafio diagnóstico complexo: as mamas densas. Mulheres mais jovens, justamente nesta faixa etária, são as que mais frequentemente apresentam mamas densas (com mais tecido fibroglandular e menos gordura).
Em uma mamografia 2D (digital ou analógica), o tecido denso aparece branco, e os tumores também aparecem brancos. O resultado é o “efeito de mascaramento”, onde a “sobreposição de tecidos” pode esconder uma lesão, fazendo com que a mamografia digital 2D “sofra uma importante queda de sensibilidade”.
É para resolver este problema que a tecnologia mais avançada, a tomossíntese mamária (ou mamografia 3D), foi desenvolvida.
Diferente da mamografia 2D, que captura uma única imagem “chapada”, a tomossíntese move o tubo de RX em um arco, capturando múltiplas imagens em diferentes ângulos. O computador então reconstrói essas imagens em uma série de “fatias” (camadas) finas da mama. O radiologista pode analisar o tecido mamário camada por camada, eliminando a sobreposição.
Os benefícios clínicos e operacionais são imensos:
- Maior detecção: a tomossíntese aumenta a taxa de detecção do câncer de mama em até 30%, sendo a tecnologia especificamente indicada para mulheres com mamas densas.
- Redução de falsos positivos: a sobreposição de tecido normal em exames 2D pode simular uma lesão, gerando um “falso positivo”. A tomossíntese 3D “reduz a taxa de reconvocação da paciente” (a necessidade de chamá-la de volta para exames complementares) e, consequentemente, “evita… biópsias desnecessárias”.
Para clínicas e hospitais, isso significa mais precisão diagnóstica, otimização de custos (menos reconvocações) e, para a paciente, menos ansiedade. A tomossíntese é a tecnologia que permite que a nova diretriz de rastreamento para 40-49 anos seja clinicamente eficaz.
O cuidado não pode parar
“Outubro Rosa o ano inteiro” é mais do que um slogan de conscientização; é um desafio logístico e tecnológico. Para que a promessa da detecção precoce (com 95-99% de chance de cura) se torne realidade para todas as mulheres, incluindo as mais jovens e aquelas com mamas densas, os centros de saúde precisam de precisão diagnóstica absoluta.
As soluções de imagem digital (2D) e tomossíntese (3D) são as ferramentas que transformam a promessa da cura em prática clínica diária.
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